<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-12474804</id><updated>2011-04-21T17:55:24.311-04:00</updated><title type='text'>Bibliomemórias</title><subtitle type='html'>Memórias bibliográficas de uma apaixonada pela Literatura. Sem método, sem organização e possivelmente sem separação entre enredo de livros e histórias pessoais.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://bibliomemorias.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12474804/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bibliomemorias.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Anna Carolina</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>6</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12474804.post-111865461885539165</id><published>2005-06-13T05:05:00.000-04:00</published><updated>2005-06-13T05:25:35.213-04:00</updated><title type='text'>A Arrumação da Biblioteca</title><content type='html'>Parece que é um tema recorrente entre os que gostam dos livros - como você arruma suas estantes? Por autor, por tema, por país?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai junta seus livros (que sempre me espantaram - livros médicos são sempre assustadores para quem não é do ramo) por especialidade. Há atlas anatômicos, manuais de cirurgia, livros de filosofia - tudo em uma organização quase maníaca, como seria de se esperar do meu pai. Minha mãe é um pouco mais caótica, com seus livros, materiais de pesquisa e trabalhos de alunos espalhados por estantes e mais estantes, sem uma ordem implícita. O andar de cima são para os livros brasileiros, o andar de baixo para os dicionários e livros estrangeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tenho uma divisão certa. Seria mais fácil dizer que a única divisão que eu tenho é que a boa e velha coleção dos "Imortais da Literatura" fica no canto direito e a minha Bíblia (uma excelente tradução que ganhei dos meus pais à época da minha primeira comunhão) fica do lado esquerdo. E é isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre eles, uma montanha de edições sem ordem: a última parte d'&lt;em&gt;O Tempo e O Vento&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;O Continente&lt;/em&gt; - as outras duas partes eu ainda preciso comprar); uma edição d'&lt;em&gt;O Diário de Anne Frank; &lt;/em&gt;um livro sobre os Beatles (editado em 1966)que pertencia à minha mãe e eu seqüestrei quando mudamos a biblioteca de lugar; o &lt;em&gt;Mundo de Sofia&lt;/em&gt; (ganhei dos meus pais no aniversário de 17 anos) divide o espaço com &lt;em&gt;Brás, Bixiga e Barra Funda&lt;/em&gt;, um dos meus livros favoritos. E por aí vai. Bem menos livros que meus pais ou que o &lt;a href="http://alquimiadoverbo.zip.net"&gt;Alquimia&lt;/a&gt;, meu namorado - isso porque tenho a desagradável mania de guardar livros dentro de armários e embaixo da minha cama, fora de qualquer possibilidade de registro ou catálogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma zona, uma grande zona, eu sei. Mas é que eu não agüento dividir livros em qualquer tipo de ordem. Eu acredito no grande poder de uma estante bagunçada. Você nunca sabe o que vai encontrar - o maravilhoso conceito de &lt;em&gt;serendipity&lt;/em&gt;, como dizem os anglófonos (segundo o &lt;a href="http://www.m-w.com"&gt;Merrian and Webster&lt;/a&gt;, &lt;em&gt;the faculty or phenomenon of finding valuable or agreeable things not sought for) &lt;/em&gt;é algo que precisa ser apreciado, mesmo numa estante onde você - teoricamente - sabe o conteúdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se essa capacidade de encontrar o que não se sabia que estava procurando - a grande graça da literatura, se você me perguntar - for perdida em nome da ordem, para que raios se vive, então?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12474804-111865461885539165?l=bibliomemorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bibliomemorias.blogspot.com/feeds/111865461885539165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12474804&amp;postID=111865461885539165' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12474804/posts/default/111865461885539165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12474804/posts/default/111865461885539165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bibliomemorias.blogspot.com/2005/06/arrumao-da-biblioteca.html' title='A Arrumação da Biblioteca'/><author><name>Anna Carolina</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12474804.post-111563033911615556</id><published>2005-05-09T05:08:00.000-04:00</published><updated>2005-05-09T05:18:59.126-04:00</updated><title type='text'>Possessão</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Possessão&lt;/strong&gt;, A.S. Byatt.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livro que conheci por causa do &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0256276/"&gt;filme&lt;/a&gt; - lindo, dirigido pelo Neil LaButte e infelizmente destruído em parte por Gwyneth Paltrow no papel de uma professora inglesa. Mas o fato é que, por causa do filme, a Cia. Das Letras reeditou o livro “Possessão”, e eu o ganhei de presente do meu namorado. E nasceu assim uma história de admiração por A.S. Byatt.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumidamente, a história pode ser contada assim: era uma vez um poeta vitoriano chamado Randolph Henry Ash, e uma poetisa chamada Christabel LaMotte. Ele é casado, respeitadíssimo em seu tempo – uma espécie de Robert Browning do mundo ficcional. Ela é uma mulher isolada em sua casa, com uma relação suspeita com uma amiga que mora com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Séculos depois, um pesquisador, Roland Mitchell, acha uma carta de Ash, teoricamente mandada para LaMotte. Ele pede ajuda para uma especialista na obra de Christabel – Maud Bailey – e eis que toda a confusão começa. LaMotte e Ash trocaram uma intensa correspondência, falando de poesias e dores da alma, e também de amor e da impossibilidade de mudança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas “Possessão” é bem mais do que um romance sobre cartas. Fala da fúria dos acadêmicos para dissecar textos ficcionais atrás das ‘verdadeiras intenções’ dos autores. LaMotte era lésbica? Seus textos podem provar, eles acreditam – e há uma reconstrução desesperada atrás disso. Roland é obcecado por Ash, e faz qualquer coisa para compreender porque seu herói escreveu cartas à uma mulher como LaMotte (é preciso dizer que Ash é construído como um modelo de fidelidade à esposa, Ellen).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de um mergulho na Inglaterra vitoriana – provavelmente uma das épocas mais sufocantes da história da Ilha – “Possessão” é também um mergulho, com uma pedra amarrada nos pés, no mundo acadêmico e na aridez das pesquisas, a infertilidade das biografias destrutivas. A.S. Byatt disse que, ao ver estudantes na Biblioteca de Londres dissecando textos acadêmicos, perguntou-se se eram os estudantes quem possuíam os autores, ou se eram os autores quem possuíam os estudantes – eis a chave de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer um que tenha cumprido pena em qualquer centro de pesquisas em qualquer faculdade por aí consegue entender bem o clima de competição e insatisfação que Maud e Roland representam, enquanto buscam qualquer migalha de informação sobre seus autores prediletos – em pedaços de poesia, em diários abandonados e cartas nunca terminadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, primordialmente, “Possessão” é livro sobre o amor à escrita. Ash e LaMotte só estão realmente vivos – e só estão realmente juntos, apesar de tudo – quando escrevem. O amor físico nada pode contra o que existe no papel. É uma das “possessões” a qual o título se refere, e de todas a mais interessante de notar – aquela que domina um autor quando uma história invade sua alma e só parte depois que ela está escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme é excelente, mas toma muitas liberdades em relação ao original. Roland, no livro, é baixinho e tem cabelo escuro (a namorada o chama de Toupeira). No filme, ele é louro, alto e norte-americano (o ator que o interpreta é Aaron Eckhart, amigo de Neil LaButte). Isso quebra um pouco a relação entre ele e Maud, que, no livro, é menos de companherismo e mais de competição muda entre dois elementos que não se entendem. Ainda assim, é um grande filme que passou despercebido nos cinemas na pátria. Mas o livro é bem melhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12474804-111563033911615556?l=bibliomemorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bibliomemorias.blogspot.com/feeds/111563033911615556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12474804&amp;postID=111563033911615556' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12474804/posts/default/111563033911615556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12474804/posts/default/111563033911615556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bibliomemorias.blogspot.com/2005/05/possesso.html' title='Possessão'/><author><name>Anna Carolina</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12474804.post-111470178195996266</id><published>2005-04-28T11:22:00.000-04:00</published><updated>2005-04-28T11:26:44.666-04:00</updated><title type='text'>1984</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1984&lt;/strong&gt;, George Orwell.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A biblioteca da minha escola tinha uma única cópia de “1984” (editora Brasiliense, se não me engano) e uma única pessoa que retirava o livro a intervalos regulares – eu. Li tantas vezes a história que até hoje não comprei uma edição para mim, porque decorei o texto e carrego-o na minha cabeça como uma maldição. Poucos livros me são assim tão caros – talvez só “O Morro dos Ventos Uivantes” está no mesmo patamar. Psicólogos de plantão podem analisar o que significa ter Brontë e Orwell num mesmo nível hierárquico – eu passo a tentativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu cresci sob a sombra do “Grande Irmão”, no caso as câmeras de segurança que estão em todos os cantos em São Paulo, e o remanejamento do passado como uma constante (“Beyond Citizen Kane”, alguém? O passado de Xuxa Meneghel?). E entendia muito bem quando Winston escrevia em seu diário proibido “para o futuro, de um homem morto...saudações”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que define a vida? Fisicamente, seria a capacidade mental de saber o que se passa e fazer escolhas sobre o que se passa? Isso abre espaço para a discussão para lá de inútil sobre a situação de um paciente em coma etc, coisa que eu não tenho o menor cacife para debater, pelo menos não ainda. Meu problema é a definição de vida segundo Winston Smith, aliás George Orwell. Para mim isso é mais importante que toda a discussão sobre o Grande Irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Winston Smith (Smith sendo o “Silva” do idioma inglês, como aprendi depois) andava e respirava e tinha consciência das condições ao seu redor – era um dos poucos, senão o único por metros e metros – mas não estava vivo. Ele não tinha poder de decisão, não tinha sequer o direito de desligar a teletela de dentro de seu apartamento. De que adianta respirar e andar e ter consciência, se não existe o mero direito de escolha? De que adianta viver se não existe a chance de aprender com o passado – porque o passado, como cantou Don McLean, ‘&lt;em&gt;is a persuasive illusion’&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerem que eu tinha dezesseis anos quando li o livro pela primeira vez. Eu não era exatamente uma adolescente que ia em shopping center passear a crise existencial na frente da vitrine, o que explica bastante coisa. A crise de dúvidas que Orwell me provocou não foi embora até hoje. O que me obrigou a escrever para ver se a crise passava, e definiu o que eu sou no momento. Escrevo, como Winston, para o futuro – para os que virão, Grande Irmão existindo ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-*-*-*-*-*-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu assisti à adaptação para o cinema (por sinal excelente) desse livro, com John Hurt como Winston e Richard Burton como O’Brien – foi o último papel do ator. Provavelmente a cena em que O’Brien convence Winston de sua fraqueza é a fonte de muitos dos meus pesadelos, até hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12474804-111470178195996266?l=bibliomemorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bibliomemorias.blogspot.com/feeds/111470178195996266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12474804&amp;postID=111470178195996266' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12474804/posts/default/111470178195996266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12474804/posts/default/111470178195996266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bibliomemorias.blogspot.com/2005/04/1984.html' title='1984'/><author><name>Anna Carolina</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12474804.post-111462502904707385</id><published>2005-04-27T14:03:00.000-04:00</published><updated>2005-04-27T14:03:49.050-04:00</updated><title type='text'>Cloud Atlas</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cloud Atlas&lt;/strong&gt;, David Mitchell.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Cloud Atlas” me apareceu como uma aposta que deu errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explico. Os ingleses fazem apostas sobre qualquer coisa – mas qualquer coisa mesmo. Quem vai ganhar a eleição, a FA Cup, quem vai ser o novo Papa, quanto tempo dura o casamento do Príncipe de Gales etc. Logo, quando o Man Booker Prize – principal prêmio de literatura do país – anunciou seus finalistas, tinha que ter aposta para saber quem ia ganhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Cloud Atlas” era tão favorito, mas TÃO favorito, que algumas casas nem queriam aceitar mais apostas. Os jornais já tratavam Mitchell como vencedor. Só que o livro não ganhou – quem levou o prêmio e o dinheiro foi o segundo favorito, “The Line of Beauty”. E o assunto morreu por ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corta para alguns meses depois, estação de trem de Waterloo, embarcando para a Bélgica numa viagem com colegas da universidade para conhecer o Parlamento Europeu. Duas horas de trem pela frente, sendo meia hora embaixo de um túnel (aquele famoso que cruza o Canal da Mancha). Nessas horas, livros são os companheiros perfeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá estava, pois, “Cloud Atlas” nas prateleiras, versão paperback, um tijolo de livro. Agi por impulso e por falta de outros livros interessantes no local, e logo estava instalada no Eurostar lendo a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou melhor, as histórias. A única definição que eu tenho para “Cloud Atlas” é que o livro é, na verdade, vários livros, abertos no meio e postos um sobre o outro. Você começa a ler uma história, que pára em um ponto crucial para começar outra história, que igualmente é interrompida na parte mais interessante e assim até chegar no último livro, o centro de tudo, quando você volta a ver as conclusões dos livros anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começamos com o diário de um advogado norte-americano que está voltando para San Francisco numa galera, vindo da Oceania, no auge da corrida do ouro nos Estados Unidos. Passamos para as cartas de um compositor falido na Bélgica no período entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Depois cai-se num livro policial que se passa na Califórnia do final dos anos 1970, e depois para a vida de um editor londrino nos anos 1990 que está lendo a história policial, seguindo para a narração de um futuro pós-apocalíptico em que Orwell é considerado um autor otimista, e para o futuro além disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os personagens dessas sagas são unidos pelo fato de lerem as histórias uns dos outros – o compositor falido lê o diário do advogado na Oceania; a personagem principal do romance policial lê as cartas do compositor falido; o editor lê o livro policial; a história do editor virou filme no mundo futurista, e por aí vai. Não faz sentido – ‘sentido’ aqui compreendido como uma linha coerente de narração onde você espera alguma reação do personagem. Não é para fazer sentido mesmo. Você olha para o livro e se imagina quem inventou quem – o autor criou os personagens ou os personagens inventaram a si mesmos? Não estou viajando na maionese, apesar de parecer – se você ler o livro, você vai entender minha confusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num tempo de livros de “escola urbana”, com seus personagens tão iguais uns aos outros, mergulhar de cabeça num poço de imaginação como “Cloud Atlas” foi uma das melhores experiências que eu já tive, em matéria de literatura, justamente porque não fui avisada do que se tratava e fui sem medo nenhum.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12474804-111462502904707385?l=bibliomemorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bibliomemorias.blogspot.com/feeds/111462502904707385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12474804&amp;postID=111462502904707385' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12474804/posts/default/111462502904707385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12474804/posts/default/111462502904707385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bibliomemorias.blogspot.com/2005/04/cloud-atlas.html' title='Cloud Atlas'/><author><name>Anna Carolina</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12474804.post-111462483820748705</id><published>2005-04-27T13:58:00.000-04:00</published><updated>2005-04-27T14:02:48.496-04:00</updated><title type='text'>Os Irmãos Karamazov / Ana Karênina</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Os Irmãos Karamazov&lt;/strong&gt;, Fiodor Dostoievski&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ana Karenina&lt;/strong&gt;, Leon Tolstoi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, quando eu tinha catorze anos, encasquetei de mandar crônicas para uma revista de São Paulo, na esperança bem vã que elas fossem publicadas. Obviamente não foram, mas o fato é que o editor da revista chegou a me escrever dizendo que tinha gostado das histórias, e recomendava que eu lesse mais para aprimorar meu texto. Por não parecer ser uma carta-resposta pré-fabricada, eu fiquei eternamente grata a esse editor. E tratei, pois, de aceitar o conselho e começar a procurar coisas para ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que fosse difícil – eu cresci dentro de bibliotecas e cercada de enciclopédias em casa. Mas uma pessoa precisa, em algum momento, começar a comprar seus próprios livros, e a ocasião era perfeita: na época, as bancas de jornal começaram a ser invadidas pela coleção “Imortais da Literatura” – uma coleção da Nova Cultural com livros em capas de plástico mole, cor de vinho imitando couro e letras douradas. O primeiro volume, anunciado com algum estardalhaço, era “Os Irmãos Karamazov”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parentêses sobre essa coleção, que ainda resiste na minha bagunçada estante. Ela foi meu primeiro contato com muitas coisas que depois se tornaram parte da minha vida emocional. “O morro dos ventos uivantes” e o “Retrato de Dorian Gray”, por exemplo, eu li graças à essa coleção. Mas tem coisa que eu comprei e até hoje não li até o fim, como ‘Moll Flanders’ ou ‘A Mulher de Trinta Anos’. Bom, os livros ainda estão lá esperando. Uma hora eu leio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de volta aos russos antes que o assunto desvie de vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levando em conta que eu tinha catorze anos e morava na São Paulo do fim do século XX, até que eu e Dostoevski nos entendemos muito bem. O livro era imenso (para os meus padrões de então), mas eu o li em um mês. Lembro de ter uma pena imensa de Aliocha, e um pânico tremendo da história em geral. Muito tempo depois fui ler “Crime e Castigo”, e apesar de tudo o que disseram e ainda dizem sobre o livro, eu ainda acho que a história dos irmãos era bem mais tensa. Apesar da parte do julgamento, longíssima até para meus padrões de resistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a pessoa que me virou de ponta-cabeça foi Ana Karênina. A edição dos Imortais da Literatura veio em dois volumes, redefinindo para sempre meu conceito de texto prolixo. Mas eu não consegui largar o livro antes de ver o fim da história, o que ocasionou alguns problemas no colégio - explicar que eu não tinha feito a lição de casa de Matemática por três semanas seguidas porque estava ocupada lendo Tolstoi não era uma desculpa aceitável, mas eu tinha minhas prioridades bem definidas naquele tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fiquei assustada com Ana Karenina. Como alguém consegue ter tudo e perder tudo ao mesmo tempo? Eu fui apresentada à história de Karênina antes de Ema Bovary – ou seja, quando eu li Flaubert pela primeira vez eu não consegui deixar de acha-la uma cabeça-de-vento de primeira linha, uma dona de casa enjoada. Ana Karênina me pareceu tremendamente humana - mas tão humana que eu até hoje olho para as pessoas no metrô e no trem e fico com uma pontinha de receio que vá aparecer outra senhora Karenin por ali, feita de desespero e esperança morta, pronta para terminar tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se isso não é sinal de história muitíssimo bem contada, então eu não sei o que caramba o que pode ser!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12474804-111462483820748705?l=bibliomemorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bibliomemorias.blogspot.com/feeds/111462483820748705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12474804&amp;postID=111462483820748705' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12474804/posts/default/111462483820748705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12474804/posts/default/111462483820748705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bibliomemorias.blogspot.com/2005/04/os-irmos-karamazov-ana-karnina.html' title='Os Irmãos Karamazov / Ana Karênina'/><author><name>Anna Carolina</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12474804.post-111460489058310802</id><published>2005-04-27T08:26:00.000-04:00</published><updated>2005-04-28T11:26:10.856-04:00</updated><title type='text'>Memórias de uma rata de biblioteca</title><content type='html'>Não, esse não é um blog de crítica literária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São só as memórias bibliográficas de uma garota que é uma ratazana de biblioteca confessa. Uma pessoa que faz estrago na conta bancária se deixada sozinha com uma carteira de dinheiro dentro de uma livraria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem quiser que se junte para ler.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12474804-111460489058310802?l=bibliomemorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bibliomemorias.blogspot.com/feeds/111460489058310802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12474804&amp;postID=111460489058310802' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12474804/posts/default/111460489058310802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12474804/posts/default/111460489058310802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bibliomemorias.blogspot.com/2005/04/memrias-de-uma-rata-de-biblioteca.html' title='Memórias de uma rata de biblioteca'/><author><name>Anna Carolina</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
